sábado, 13 de setembro de 2008

Desconjuro mangalô três vez

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

...............
Amar

Que pode uma criatura senão,entre criaturas, amar?
amar e esquecer,amar e malamar,amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,um vaso sem flor,
um chão de ferro,e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Drummond

Teria eu algo mais a dizer sobre isso tudo? Deveria eu dizer mais isso tudo sobre esse algo?
Hoje algumas respostas, talvez perguntas, me escapam.

Porém, diante da tristeza, e de alguma confusão, me surpreendo com reações novas e inesperadas. Apreciar a dor, até sorrir. Um suspiro mais sereno do que medroso. Um pensamento bom, no lugar de lamentações. Aceitação, e não recusa. Dói menos? Não, dói diferente.

Nunca me senti tão só como agora. Por outro lado, nunca estive tão companheira de mim mesma, nunca olhei tanto pra mim, com tal zelo e cuidado. Aos outros, nada acontece. No dia a dia, a aste do novo óculos é o que chama atenção. Ou o novo corte de cabelo. Ou um decote mais ousado. Mas irão perceber o sorriso mais aberto, o olhar mais tranquilo, os passos mais leves?

Num primeiro momento, a tristeza é devastadora. Te desconstrói por inteiro, rasga seus sonhos, suas lembranças, suas esperanças. Mas depois, é como uma lupa para ver o que te rodeia - e que mais uma vez você ignorou. A tristeza é um combustível necessário a mudança, pois ninguém deseja permanecer num terreno cinzento e sem flores. Pois bem, quero aromas, quero cores...ores. Quero portas e janelas se abrindo, quero também dizer "ê, vidinha mais ou menos". Quero ser feliz de novo...quero parar de viver uma dor de cotovelo sem fim, quero entender o meu lugar, quero ficar no meu lugar, quero lugares.

Hoje foi mais uma vez aquela tristeza cortante que veio, e uma vez mais ela feriu, remexeu o que tava sossegado, despertou aflições, deixou dúvidas e decepções. Mas não sei não, o punhal perde força, já não machuca tanto, ou talvez o corpo já esteja cicatrizando mais rápido. A tristeza é a mesma, mas a dor é diferente.

Ai...sofrer cansa, sabia?! Cruz credo, desconjuro mangalô três vez.




2 comentários:

bianca malena disse...

eu blog esta lindo...Nada de máscars, nada de rascunhos..é vc e ponto! Mas sei que ainda vou ler muitas coisas sobre novos amores ou amores "customizados", é a nova tendencia...rs; Sobre conquistas, vitórias...sabe pq? Pq vc é linda por dentro e Deus vai conceder o melhor!!!Beijos!

Vc esta me inspirando a fazer o meu blog!rsrs

gleice disse...

amores customizados?? o que é isso??

sim, se vier, que venha, o mundo gira e nós giramos com ele, todos nós, o tempo todo..

obrigada pela visita, venha sempre, vamos trocar mais...e faça o seu sim, se pensa em ter um canto pra desabafar, é bem legal, ajuda a refletir e os amigos ainda contribuem com comentários construtivos.

Bjoca!